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Conto: Fica, Larinha

FICA, LARINHA

Levantando-se súbito da cama, como quem se lembra de um compromisso urgente, ela pegou o celular e viu as horas.

Pô, já cabô? Nem vi…

Você viu, bandidinho. Não invente. Viu, e como viu, ela disse, passando a mão pela coxa, subindo até o abdômen durinho, vagarosamente descendo em direção à Virilha. Parou ali. Sim, ali, você sabe onde, porra. Ali mesmo.

Era apelação. Só podia ser apelação. Sacanagem.

Fica mais um pouco, Larinha…

Não dá, você sabe que não dá.

Como assim, não dá? Quem dá é você, então dê. Não tem essa. Fica mais um pouco, Larinha…

Ele não tinha jeito. Sempre uma resposta bem-humorada pra tudo. A palavra, essa safada. E ele, claro – um bobo.

Bobo…

Ele riu, sabia que ela tinha mesmo de sair. Mas aquele – aquele meneio dos quadris que ela fazia toda vez que caminhava era humanamente irresistível, então foda-se, ele não tava nem aí.

Gostosa…

Foi então que lhe ocorreu uma ideia. Tinha levado um som dessa vez, pôs logo uma música para tocar. Era You Shook Me All Night Long, do AC/DC.

Lara falava ao celular, parecia preocupada. Mas à medida que o volume do som aumentava, ela lentamente afastava o aparelho do ouvido. Até que virou o rosto e sorriu.

Fica mais um pouco, Larinha.

Danilo Vilela é estudante de Direito da Universidade Federal de Sergipe

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Conto: O Sintagma

Mais abaixo, segue um conto escrito por mim. Pensei no caso que aconteceu na última quarta-feira (04/04/2012), na Grécia. Um aposentado se matou com um tiro no meio da Praça Syntagma, em frente ao Parlamento, na cidade de Atenas. Dimitris Christoulas era seu nome, tinha setenta e sete anos. Deixou um bilhete que dizia o seguinte:

“O governo de ocupação de ‘Tsolakoglou’ (*referencia ao primeiro ministro grego que durante a guerra, em 1941, colaborou com a ocupação nazista do país) aniquilou qualquer possibilidade de sobrevivência para mim, baseada em uma aposentadoria digna que paguei por minha conta sem nenhuma ajuda do Estado, durante 35 anos. Dado que minha idade avançada não me permite recorrer à força –embora se um grego empunhasse um Kaláshnikov, eu seria o segundo a fazê-lo–, não me restou qualquer outra solução para um final digno, antes que fosse obrigado a passar a buscar comida no lixo. Tenho fé que um dia os jovens sem futuro se erguerão em armas e na praça Sintagma pendurarão os traidores da nação, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945” (Conteúdo divulgado na CARTA MAIOR)

Essa história me fez lembrar uma música do Radiohead, “Dollars&Cents”, a qual parece oportuno também compartilhar neste post:

“we are the dollars & cents
and the pounds and pence
the mark and the yen
we are going to crack your little souls
we are going to crack your little souls”
(“Dollars&Cents”/Radiohead)

Mas já falei demais, agora fiquem com o conto.

Boa leitura!

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“É pela paz que eu não quero seguir admitindo”

Volta e meia, eu sinceramente me pergunto o porquê de tantas pessoas não poderem gozar o mínimo de paz nas suas vidas. Por quê? As pessoas, todas elas, sabem o porquê. Intuitivamente o sabem. Todas elas, bem ou mal instruídas.

Mas eu insisto e, imagine-se lá o motivo, torno a perguntar: por quê? Por que essas pessoas não podem gozar o mínimo de paz nas suas vidas? É que, na indignação, o propósito de indagar sobre as causas das injustiças não é o de querer que, naquele exato momento, alguém as explique. Trata-se apenas de manifestar sua revolta por tudo o que existe. Continuar lendo

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A comparação é boa, a conclusão é ruim

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, o Professor Muhammad Yunus fez uma comparação bastante interessante. Disse que o capitalismo assemelhava-se a um carro quebrado. Se o capitalismo, então, está quebrado, ele deveria ser substituído por um novo sistema, que, por sua vez, também poderia ser representado na figura de um novo modelo de carro.

No texto que acompanha esta postagem, em inglês, aponto um problema lógico nessa comparação do professor Yunus. Fiz uma versão em inglês porque ele se destina ao público internacional como um todo. E também para praticar meu domínio com o idioma. Continuar lendo

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Aos companheiros/as de Pinheirinho

Dedico este breve texto aos companheiros/as do Pinheirinho:

Hoje de manhã começou a ação de reintegração de posse em Pinheirinho. Pessoas já morreram. O banho de sangue, ao que parece, apenas começou. Neste momento, lembro-me daquele mito da índole pacífica do brasileiro: as elites são as principais divulgadoras desse mito, que, por sua vez, não encontra amparo algum na história de lutas de nosso povo, muito menos na maneira como os poderosos atuam para a defesa de seus interesses. E a única coisa que posso fazer é manifestar meu apoio à luta dos sem-teto e lamentar as mortes que poderiam ser evitadas, se tanto o governo do estado de São Paulo quanto o governo federal tivessem tomado alguma atitude para resolver politicamente o conflito ali instalado.

Não há consolo algum para as pessoas próximas àquelas que tombam na luta por justiça. Não há consolo algum em reconhecer a coragem, a bravura, a abnegação quase forçada pelas precárias condições de vida. Nada compensa a violência dos poderosos. O que há é desolamento; o que sobra, só revolta. O que segue, e o que escapa, nada – só pobre suspiro. Mas como evitá-lo?

“Meus amigos foram às ilhas. 
Ilhas perdem o homem. 
Entretanto alguns se salvaram e 
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer. 
Entre o amor e o fogo, 
entre a vida e o fogo, 
meu coração cresce dez metros e explode.
— Ó vida futura! nós te criaremos”

(“Mundo Grande”/Carlos Drummond de Andrade)

A luta continua, camaradas.

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Comentários: a DRU, o Governo Dilma e o Neoliberalismo

Com o texto que acompanha esta postagem, volto às minhas atividades no blog.

Não se trata de um artigo propriamente dito. Apenas consiste  num texto organizado em breves comentários, cada um dos quais iniciados por um título.

Nele tento organizar algumas ideias, apenas. Tem, contudo, a validade de expressar, de um modo geral, minha opinião sobre o governo Dilma.

Abraços e um Feliz 2012 a todos/as. Continuar lendo

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Esclarecimento ou O Cavaleiro e Os Moinhos

Em respeito aos leitores do nosso blog (sim, eles existem!), creio sejam necessários alguns esclarecimentos.

Já faz mais de um ano que não coloco algo sério por aqui. Melhor: algo “profundo”, ou que eu, com uma pequena parcela de presunção, considere dessa maneira.

Prometi a Gabriel, ao mesmo tempo que prometi a mim mesmo, que iria desenvolver uma resposta ao texto dele E também ao despropósito das eleições presidenciais assim que encerrasse o período na faculdade. A promessa, contudo, não será cumprida.

Há muito tempo atrás, pouco mais de um ano e meio[1], cimentei o compromisso pessoal de elaborar artigos, estudar bastante, enfim, organizar melhor as ideias. Mas a verdade é que nada disso aconteceu. Continuar lendo

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