Conto: Fica, Larinha

FICA, LARINHA

Levantando-se súbito da cama, como quem se lembra de um compromisso urgente, ela pegou o celular e viu as horas.

Pô, já cabô? Nem vi…

Você viu, bandidinho. Não invente. Viu, e como viu, ela disse, passando a mão pela coxa, subindo até o abdômen durinho, vagarosamente descendo em direção à Virilha. Parou ali. Sim, ali, você sabe onde, porra. Ali mesmo.

Era apelação. Só podia ser apelação. Sacanagem.

Fica mais um pouco, Larinha…

Não dá, você sabe que não dá.

Como assim, não dá? Quem dá é você, então dê. Não tem essa. Fica mais um pouco, Larinha…

Ele não tinha jeito. Sempre uma resposta bem-humorada pra tudo. A palavra, essa safada. E ele, claro – um bobo.

Bobo…

Ele riu, sabia que ela tinha mesmo de sair. Mas aquele – aquele meneio dos quadris que ela fazia toda vez que caminhava era humanamente irresistível, então foda-se, ele não tava nem aí.

Gostosa…

Foi então que lhe ocorreu uma ideia. Tinha levado um som dessa vez, pôs logo uma música para tocar. Era You Shook Me All Night Long, do AC/DC.

Lara falava ao celular, parecia preocupada. Mas à medida que o volume do som aumentava, ela lentamente afastava o aparelho do ouvido. Até que virou o rosto e sorriu.

Fica mais um pouco, Larinha.

Danilo Vilela é estudante de Direito da Universidade Federal de Sergipe

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