A propósito das eleições presidenciais

À propósito das eleições presidenciais: breves comentários para contribuir ao debate sobre o 2° turno na esquerda

Saí do PT há menos de um ano. Na verdade, já vinha saindo há mais tempo. Quase um ano e meio – ou mais.

Na época em que, decididamente, desliguei-me do partido, minha avaliação foi a de um militante de esquerda que deixou de acreditar na existência, dentro do PT, de qualquer espaço para a discussão (ou, talvez, sequer a menção mesmo) de um projeto de sociedade alternativo ao modelo capitalista de organizar a (re)produção da vida. Mantenho esse posicionamento.

Não pretendo, neste texto, fazer um jogo de amarelinha e usar mecanicamente palavras como “tática” e “estratégia”, o que demandaria uma discussão mais profunda. Num texto breve como este pretende ser – e será -, o uso de palavras como essas correriam o altíssimo risco de virar meros jargões; em poucas palavras: o risco da vulgarização. A esquerda, aliás, precisa rechaçar as vulgarizações.

Ainda, é importantíssimo lembrar que este texto não representa a opinião do blog. Trata-se tão-somente da opinião do degas.

Comecemos, portanto.

1 – Votar em Dilma não é suficiente; pois a direita mobiliza-se. É preciso, desde já, armar o contragolpe. Além disso, a esquerda não pode ter medo de intervir nas questões mais imediatas.

2 – É importante que o foco das preocupações desloque-se para o aspecto estratégico; essa foi a tônica que caracterizou as campanhas das candidaturas socialistas do PSTU, PSOL, PCB e PCO. Com muita convicção, votei em Plínio(PSOL) no 1°turno.

3 – Porém, a realidade presente coloca à vida e à luta dos/as trabalhadores/as em geral uma só decisão: apoiar ou não apoiar a candidatura Dilma.

4 – Não se trata de esperar que haja uma “verdadeira” polarização, argumentando que as duas candidaturas representam uma “falsa” polarização. Trabalhemos com a lógica: ainda que se diga que o que existe é uma “falsa” polarização, essa afirmação não nega a existência da polarização em si. Reconhece-se haver diferenças; a mais marcante delas no quesito da política internacional. E na luta política, todo discurso em que, explícita ou implicitamente, se evoca a espera resulta no engano.

5 – Acrescem estas questões: qual lutador/a social quer um presidente que se refira ao MST como criminosos? Qual lutador/a social não quer um presidente que mantenha diálogo com os governos mais progressistas e democráticos da América Latina, como são os casos de Morales (Bolívia), Correa (Equador) e Chávez (Venezuela)? Qual lutador/a social não quer um presidente que manifeste veemente repúdio aos golpes e tentativas de golpes a esses governos mais progressistas e democráticos, como aconteceram em Honduras e, mais recentemente, no Equador?

Sou de esquerda, sou socialista e tenho posição. Neste 2°turno, minha opção é a candidatura Dilma.

Danilo Vilela tem 26 anos e é estudante de Direito da Universidade Federal de Sergipe

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Opiniões (e só)

Uma resposta para “A propósito das eleições presidenciais

  1. Dária Vilela

    Muito bom!!!Temos que ter essa clareza!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s