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		<title>Aos companheiros/as de Pinheirinho</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 18:32:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Dedico este breve texto aos companheiros/as do Pinheirinho: Hoje de manhã começou a ação de reintegração de posse em Pinheirinho. Pessoas já morreram. O banho de sangue, ao que parece, apenas começou. Neste momento, lembro-me daquele mito da índole pacífica &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2012/01/22/477/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=477&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://panscopia.files.wordpress.com/2012/01/117859-970x600-1.jpeg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-478" title="117859-970x600-1" src="http://panscopia.files.wordpress.com/2012/01/117859-970x600-1.jpeg?w=300&#038;h=185" alt="" width="300" height="185" /></a></p>
<p><span style="color:#000000;">Dedico este breve texto aos companheiros/as do Pinheirinho:</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Hoje de manhã começou a ação de reintegração de posse em Pinheirinho. Pessoas já morreram. O banho de sangue, ao que parece, apenas começou. Neste momento, lembro-me daquele mito da índole pacífica do brasileiro: as elites são as principais divulgadoras desse mito, que, por sua vez, não encontra amparo algum na história de lutas de nosso povo, muito menos na maneira como os poderosos atuam para a defesa de seus interesses. E a única coisa que posso fazer é manifestar meu apoio à luta dos sem-teto e lamentar as mortes que poderiam ser evitadas, se tanto o governo do estado de São Paulo quanto o governo federal tivessem tomado alguma atitude para resolver politicamente o conflito ali instalado.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Não há consolo algum para as pessoas próximas àquelas que tombam na luta por justiça. Não há consolo algum em reconhecer a coragem, a bravura, a abnegação quase forçada pelas precárias condições de vida. Nada compensa a violência dos poderosos. O que há é desolamento; o que sobra, só revolta. O que segue, e o que escapa, nada &#8211; só pobre suspiro. Mas como evitá-lo?</span></p>
<p><em><span style="color:#000000;">“Meus amigos foram às ilhas. </span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">Ilhas perdem o homem. </span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">Entretanto alguns se salvaram e </span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">trouxeram a notícia</span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,</span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">entre o fogo e o amor.</span></em></p>
<p><em><span style="color:#000000;">Então, meu coração também pode crescer. </span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">Entre o amor e o fogo, </span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">entre a vida e o fogo, </span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">meu coração cresce dez metros e explode.</span></em><br />
<em><span style="color:#000000;">— Ó vida futura! nós te criaremos”</span></em></p>
<p><span style="color:#000000;">(“Mundo Grande”/Carlos Drummond de Andrade)</span></p>
<p><span style="color:#000000;">A luta continua, camaradas.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/477/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/477/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/477/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/477/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/477/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/477/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/477/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/477/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/477/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/477/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/477/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/477/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/477/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/477/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=477&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Comentários: a DRU, o Governo Dilma e o Neoliberalismo</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 12:25:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Debate]]></category>
		<category><![CDATA[Opiniões (e só)]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o texto que acompanha esta postagem, volto às minhas atividades no blog. Não se trata de um artigo propriamente dito. Apenas consiste  num texto organizado em breves comentários, cada um dos quais iniciados por um título. Nele tento organizar &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2012/01/07/comentarios-a-dru-o-governo-dilma-e-o-neoliberalismo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=469&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://panscopia.files.wordpress.com/2011/12/dilma-brasil-6-economia1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-470" title="Dilma Brasil 6 Economia" src="http://panscopia.files.wordpress.com/2011/12/dilma-brasil-6-economia1.jpg?w=300&#038;h=213" alt="" width="300" height="213" /></a></p>
<p>Com o texto que acompanha esta postagem, volto às minhas atividades no blog.</p>
<p>Não se trata de um artigo propriamente dito. Apenas consiste  num texto organizado em breves comentários, cada um dos quais iniciados por um título.</p>
<p>Nele tento organizar algumas ideias, apenas. Tem, contudo, a validade de expressar, de um modo geral, minha opinião sobre o governo Dilma.</p>
<p>Abraços e um Feliz 2012 a todos/as.<span id="more-469"></span></p>
<p><img title="More..." src="https://panscopia.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" />____________________</p>
<div>
<p><em>Salvador, 26 de Dezembro de 2011</em></p>
</div>
<p><strong>Comentários: a DRU, o Governo Dilma e o Neoliberalismo</strong></p>
<p>Deu na Carta Maior: &#8220;O Congresso Nacional, em sessão conjunta de deputados e senadores, vai promulgar nesta quarta-feira (21) uma mudança na Constituição que permitirá ao governo usar como quiser, durante quatro anos, 20% de tudo que coletar com tributos. No período em que a autorização estiver em vigor, o governo deverá arrecadar R$ 5,5 trilhões, dos quais mais da metade será investida na área social, cerca de um quarto em obras de infra-estrutura e algo entre 8% e 9%, no pagamento de juros da dívida pública&#8221; (20/12/2011).</p>
<p>&#8220;Usar como quiser&#8221;? &#8220;Durante quatro anos&#8221;? E, ainda, &#8220;20% de tudo que coletar em tributos&#8221;? Isso tem um nome, que conhecemos bem: chama-se neoliberalismo.</p>
<div>
<p><strong>1. O contingenciamento de recursos como um dos traços distintivos do neoliberalismo econômico: </strong>O contigenciamento de recursos, em função da necessidade de pagar os juros da dívida pública, é um dos traços distintivos desta nova fase do capitalismo, iniciada já na década de 70, desde que o Estado de Bem-Estar começara a ruir, num processo que acompanhara o desmoronamento do sistema financeiro mundial articulado nos Acordos de Bretton Woods, em 1944<a title="" href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Downloads/Comentarios%20A%20DRU%20O%20Governo%20Dilma%20e%20O%20Neoliberalismo.doc#_ftn1">[1]</a>.</p>
<p>2. <strong>Brevíssimo histórico da implementação do neoliberalismo no Brasil: </strong>No Brasil, os germes do neoliberalismo na economia já apareciam no final da Ditadura Militar, época em que a privatização da educação, aliás, ganhara força, com o aparecimento de muitas instituições privadas de ensino superior<a title="" href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Downloads/Comentarios%20A%20DRU%20O%20Governo%20Dilma%20e%20O%20Neoliberalismo.doc#_ftn2">[2]</a>. O Governo Collor deu seguimento à inserção do Brasil na economia global-neoliberal para, finalmente, no Governo FHC, o país ter todo seu aparato jurídico-político re-estruturado para sujeitar-se às exigências do capital em sua mais recente etapa de acumulação, concentração e centralização da riqueza.</p>
<p><strong>3. A DRU sob um prisma neoconstitucionalista:</strong> Do ponto de vista político-jurídico, os recursos do governo deveriam estar radicalmente claros. Afinal, para um Estado que se proponha democrático e que tenha entre seus objetivos fundamentais a garantia do desenvolvimento nacional, bem como a erradicação da pobreza, nenhum objetivo deveria ser mais importante do que aqueles já traçados pela Constituição, os quais, por sua vez, deveriam ser encarados não como meras normas programáticas, mas como dispositivos legais propriamente ditos, com força normativa e de aplicabilidade imediata desde sua entrada em vigor. E pasmem: defender isso sequer significa ainda a defesa de um novo projeto de sociedade baseado na superação do atual modo de produção!</p>
<p><strong>4. O caráter neoliberal do Governo Dilma: </strong>É curioso, aliás, que ainda se admita a existência de alguma dúvida quanto ao caráter do Governo Lula/Dilma Rousseff. Se o governo insiste na manutenção dos traços distintivos do neoliberalismo econômico, com direta repercussão no garrote das políticas sociais, ele não poderá ser caracterizado senão como um governo neoliberal.</p>
<p><strong>5. Perda de oportunidade: </strong>Infelizmente, como já era de esperar, perde-se mais uma vez a oportunidade de destinar um volume substancialmente maior de recursos para áreas como educação e saúde, potencializando os investimentos aí já previstos e vinculados.</p>
<p><strong>6. Neoliberalismo não se reduz à ideia de menor presença do Estado na garantia das políticas sociais: </strong>Em tempo: a essa altura, trata-se de um equívoco grave a ideia reducionista que relaciona a existência do neoliberalismo a uma maior ou menor presença do Estado nas políticas sociais. De igual (ou maior) importância é começar a compreender o fenômeno neoliberal na sua origem, isto é, nas relações econômicas da atual etapa de desenvolvimento do capitalismo &#8211; se se propõe a lutar contra esse sistema, é claro.</p>
</div>
<p><strong>7. À guisa de conclusão, como a esquerda deve posicionar-se: </strong>Assim, todos/as que se interessam na construção de um país verdadeiramente democrático e realmente justo devem ser contra a utilização indiscriminada de recursos através da DRU;  devem ser contra o aprisionamento de parte da economia nacional ao pagamento da dívida pública, calculada pelo superávit primário; devem ser contra a perversidade de uma economia que, para permitir que mais investimentos sejam destinados à área social, obriga o Estado a se endividar mais e mais, para que, anos depois, venha a deparar-se com o beco sem saída da crise econômica; devem ser contra, igualmente e como corolário, ao neoliberalismo e ao sistema por este alimentado&#8230;sim, senhor, ele mesmo: o capitalismo.</p>
<p><strong>Danilo Vilela</strong></p>
<p><strong></strong><strong><em>Estudante de Direito da UFS</em></strong></p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Downloads/Comentarios%20A%20DRU%20O%20Governo%20Dilma%20e%20O%20Neoliberalismo.doc#_ftnref1">[1]</a>   À propósito: a passagem da economia mundial a um caráter globalizado, internacionalizado, apresentando-se subordinada aos postulados neoliberais, deve ser compreendida como uma nova fase da acumulação capitalista, uma fase em que este modo de produção finalmente se torna completo. Essa tese é sustentada pelo prof. Edmilson Costa, em seu livro “Globalização e o capitalismo contemporâneo”.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Downloads/Comentarios%20A%20DRU%20O%20Governo%20Dilma%20e%20O%20Neoliberalismo.doc#_ftnref2">[2]</a>   Processo descrito no livro “Golpe na Educação”, de autoria de Luiz Antônio Cunha e Moacyr de Góes, bem como no livro “A Universidade Reformanda”, de Luiz Antônio Cunha.</p>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/469/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/469/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/469/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=469&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Carta aberta ao povo brasileiro &#8211; 2º Encontro Nacional dos Estudantes Brasileiros de Medicina em Cuba</title>
		<link>http://panscopia.wordpress.com/2011/04/02/carta-aberta-ao-povo-brasileiro-2%c2%ba-encontro-nacional-dos-estudantes-brasileiros-de-medicina-em-cuba/</link>
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		<pubDate>Sat, 02 Apr 2011 15:51:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Em defesa do SUS, estudantes de medicina em Cuba realizam 2º Encontro Nacional Nos dias 25, 26 e 27, foi realizado 2º Encontro Nacional dos Estudantes Brasileiros de Medicina em Cuba, no Acampamento Internacional “Julio Antonio Mella” (Cijam), no Município &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2011/04/02/carta-aberta-ao-povo-brasileiro-2%c2%ba-encontro-nacional-dos-estudantes-brasileiros-de-medicina-em-cuba/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=453&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em defesa do SUS, estudantes de medicina em Cuba realizam 2º Encontro Nacional</strong><strong></strong></p>
<p>Nos dias 25, 26 e 27, foi realizado 2º Encontro Nacional dos  Estudantes Brasileiros de Medicina em Cuba, no Acampamento Internacional  “Julio Antonio Mella” (Cijam), no Município Caimito, Província  Artemisa. O evento contou com a participação de 130 delegados eleitos  entre os quase 600 estudantes brasileiros. Com o objetivo de debater  assuntos internos da organização, a solidariedade a Cuba e a inserção  dos egressos da Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), de Havana,  ao Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil.</p>
<p>A abertura do evento contou com a presença do reitor da Elam, doutor  Juan Carrizo Estevez; do primeiro-secretário da Embaixada do Brasil em  Cuba, Túlio Amaral Kafuri; do professor doutor Marco Aurélio da Ros  (UFSC); da professora Maria Auxiliadora Cesar, coordenadora do Núcleo de  Estudos Cubanos da UnB; do presidente da Organização Continental  Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae), Yeovani Chachaval;  dos diretores de Atenção ao Brasil e Atenção a Estudantes Estrangeiros  do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap), Fabio Simeón e  Bárbara Diaz; e da representação do Cijam.</p>
<p>Na abertura, os estudantes apresentaram uma Moção de Solidariedade a  Cuba, exigindo a libertação imediata de Ramón, Gerardo, René, Fernando e  Antônio, os Cinco lutadores antiterroristas cubanos presos nos EUA, o  fim do bloqueio a Cuba, o fechamento da Base de Guantânamo e que cessem  as agressões imperialistas a Líbia.</p>
<p>No sábado, dia 26, o professor doutor Marco Aurélio da Ros participou  de um frutífero encontro com os estudantes, no qual se debateu o tema  “Reforma Sanitária no Brasil, passado, presente e perspectivas”. Os  trabalhos seguiram pela tarde em grupos temáticos sobre: solidariedade a  Cuba, reforma sanitária, extensão universitária (o papel das Brigadas  Estudantis de Saúde), a inserção na Associação Médica Nacional Maria  Fachini e a revalidação dos diplomas no Brasil.</p>
<p>No domingo, dia 27, os estudantes debateram com a professora Maria  Auxiliadora (Nescuba) e com o companheiro Fabio do Icap a história do  movimento de solidariedade a Cuba no Brasil.</p>
<p>Os trabalhos se encerraram com a aprovação do novo estatuto da  Associação dos Brasileiros Estudantes de Medicina em Cuba (Abemec) e com  a aprovação de uma “Carta aberta ao povo brasileiro”.</p>
<p><strong>Carta aberta ao povo brasileiro</strong></p>
<p>Em 1998, quando os furacões George e Mitch provocaram grandes  destruições na América Central, suplantando a capacidade de resposta  civil e governamental aos desastres naturais, o governo cubano decidiu  fundar uma escola internacional para a formação de médicos, 100%  pública, 100% gratuita, aos jovens dos países periféricos, com o  objetivo de atender aos excluídos dos sistemas de saúde precarizados e  privatizados. Um ano depois se cria a Escola Latino-Americana de  Medicina (ELAM).</p>
<p>A partir da próxima graduação seremos mais de 10 mil médicos,  oriundos de 116 países de Ásia, África, Oceania e América, formados por  esse projeto. Até o momento os médicos formados pela Elam estão  participando de importantes projetos sociais em inúmeros países das  Américas.</p>
<p>No Haiti existe uma cooperação tripartite entre os governos de  Cuba-Brasil-Haiti, onde mais de 680 médicos formados em Cuba, trabalham  atendendo gratuitamente ao povo haitiano, atingido pelo terremoto mais  forte conhecido pela história contemporânea do continente e que agora  sofre uma importante epidemia de cólera.</p>
<p>No Equador, jovens formados em Cuba participam de uma missão  governamental chamada “Manuela Espejo”, estão fazendo o levantamento em  todos os rincões desse país das pessoas com deficiência física e mental,  levando assistência médica integral a todo o interior equatoriano.</p>
<p>Na Venezuela, jovens formados pela Elam participam de um projeto  governamental chamado “Batalhão 51”, em homenagem aos primeiros 51  venezuelanos formados pela Elam, que atende a populações ao longo da  Amazônia venezuelana e outras regiões afastadas desse país.</p>
<p>Poderíamos citar exemplos do trabalho dos médicos latinos formados em  Cuba, na Nicarágua, México, Honduras, Guatemala, Peru, Bolívia e em  muitos outros países das Américas.</p>
<p>E no Brasil, país mais rico da América Latina, que possui mais de 568  municípios sem nenhum médico e mais de 1.500 sem médico fixo, onde  crianças morrem por enfermidades infecciosas, desidratação e outras  enfermidades previníveis, facilmente tratáveis se atendidas prontamente,  no qual a mortalidade infantil está em torno de 20 por mil nascidos  vivos, sendo que no nordeste, por exemplo, chega a 34,4 por mil nascidos  vivos, muito diferente de Cuba com 4,5 por mil. Além disso, são  milhares os pacientes da terceira idade, portadores de doenças crônicas  não transmissíveis, como a Hipertensão Arterial e a Diabetes, sem  atenção médica devida. A inserção dos estudantes formados em Cuba e em  outros países no Brasil tem sido dificultada por barreiras corporativas  de setores reacionários e mentirosos, que até hoje não assumiram a  responsabilidade de levar o direito à saúde a todo o povo brasileiro.</p>
<p>A medicina no Brasil hoje é controlada pelo complexo  médico-industrial: “empresários da saúde”, corporações farmacêuticas e  de tecnologia médica que influenciam a formação médica, de forma que  nossos médicos são educados a interpretar “exames complementares”, sem  tocar nem olhar o paciente, sem entrevistá-lo, nem menos dedicar-lhe  atenção psicosocial. A medicina brasileira está mercantilizada e  desumanizada.</p>
<p>Nós, estudantes da Escola Latino-Americana de Medicina, vimos a  público colocar-nos à disposição da sociedade e dos poderes públicos de  todos os níveis da federação para a realização de um Plano Integral de  Inserção ao Sistema Único de Saúde (SUS), que permita a inserção de  médicos formados no Brasil e no exterior, dispostos a levar o acesso à  saúde e qualidade de vida às famílias hoje excluídas da assistência  médica.</p>
<p>O Sistema Único de Saúde é a bandeira mais ousada que o movimento  popular brasileiro construiu com muita luta e articulação no século  passado. Desde a sua aprovação na constituição cidadã e da incompleta  regulamentação posterior, tem sofrido ataques constantes que ameaçam  destruir e descaracterizar o maior sistema de cobertura médica do mundo.  Por conta do reconhecimento das patentes internacionais sobre os  medicamentos, a demora para aprovação da Emenda Constitucional 29, a  derrubada da CPMF, a legalização das fundações e a entrega do serviço de  saúde às operadoras de serviço, o SUS necessita cada vez más ser  defendido e tornar-se uma realidade.</p>
<p>O Brasil, que possuí um desenho formal do sistema de saúde mais  completo que outros países da região, gasta menos per capita que países  vizinhos como Argentina e Chile.</p>
<p>Nós, estudantes de medicina da Escola Latino-Americana de Medicina,  reunidos em nosso 2º Encontro Nacional em Cuba, vimos a público  manifestar nosso compromisso de tornar o Sistema Único de Saúde uma  realidade para o povo brasileiro. Convidamos a sociedade para juntar-se a  nós na defesa de um SUS verdadeiramente para todos.</p>
<p><strong>27 de março de 2011.</strong></p>
<p><strong>Caimito, Província Artemisa, Cuba</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/453/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/453/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/453/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=453&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Números laicos de países árabes: a religião tampouco explica</title>
		<link>http://panscopia.wordpress.com/2011/03/07/numeros-laicos-de-paises-arabes-a-religiao-tampouco-explica/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2011 13:28:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opiniões (e só)]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, edição de 06/03/2011. &#160; ONDA DE REVOLTAS Economia por si só não explica rebeliões PIB de países árabes cresce rápido, mas desemprego de universitários e comida cara turbinam insatisfação Apesar da aceleração do crescimento a partir &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2011/03/07/numeros-laicos-de-paises-arabes-a-religiao-tampouco-explica/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=449&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Folha de São Paulo, edição de 06/03/2011.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#000080;font-size:xx-small;"><strong>ONDA DE REVOLTAS</strong></span></p>
<p><span style="font-size:large;"><strong>Economia por si só não explica rebeliões</strong></span></p>
<p><strong>PIB de países árabes cresce rápido, mas desemprego de universitários e comida cara turbinam insatisfação</strong></p>
<p><strong>Apesar da aceleração do crescimento a partir da década passada, países que formam o Mena6 ainda são retardatários</strong></p>
<p><strong>VINICIUS TORRES FREIRE</strong><br />
COLUNISTA DA <strong>FOLHA</strong></p>
<p>Tunísia e Egito estão entre  os 14 de 135 países em que os  indicadores sociais mais evoluíram, na média, nos últimos 40 anos, segundo o Relatório de Desenvolvimento  Humano de 2010. A economia da Tunísia cresceu cerca  de 4,7% de 2005 a 2009; o  Egito, 6% (o Brasil, 3,6%).<br />
Egito e Tunísia foram focos  de revoltas contra governos  autoritários no Norte da África e no Oriente Médio. Se desempenho econômico e situação social motivaram o  tumulto, seus indicadores  mais evidentes não parecem  ligar causa a efeito, porém.<br />
Ainda assim, algumas características socioeconômicos desses países poderiam  explicar por que observadores da revolta egípcia ou tunisiana atribuem a revolta ao  protesto de jovens sem trabalho ou à carestia da comida.<br />
Ao contrário do resto de  quase todo o mundo, na Tunísia, no Egito e na Jordânia,  o desemprego entre pessoas  que fizeram o ensino superior (15%) é maior que o da  média nacional (12%). Desde  1990, a taxa de matrícula no  ensino superior foi de 14% a  28% no Egito, e de 8% a 34%  na Tunísia. No Brasil, a taxa  comparável é de 34%.<br />
Tunísia e Egito fazem parte  de um grupo de países chamado de Mena6, junto de Jordânia, Líbano e Marrocos (há  também o Mena dos exportadores de petróleo).</p>
<p><strong>DESEMPREGO</strong><br />
O Mena6, sigla em inglês  para Oriente Médio e Norte  da África, é o grupo de países  com a maior taxa média de  desemprego (em torno de  12%) e também entre os jovens (22%), o dobro das taxas  de economias desenvolvidas  e quase 80% maior que a média latino-americana.<br />
No Egito, cerca de 90% dos  desempregados têm menos  de 30 anos. Uma causa maior  do desemprego é o crescimento rápido da população  em idade de trabalhar, de  2,7% ao ano no Mena6, menor apenas que nos países da  África subsaariana. As economias do Mena precisariam  crescer entre 6% e 7% ao ano  a fim de reduzir o desemprego na próxima década.<br />
Apesar da aceleração do  crescimento a partir de meados da década passada, os  países do Mena6 são retardatários. Desde 1990, cresceram um terço menos que a  média dos &#8220;emergentes&#8221;.</p>
<p><strong>INFLAÇÃO</strong><br />
A taxa média de inflação  não parece também uma  causa comum de deterioração da qualidade de vida nos  países do Norte da África e do  Oriente Médio. A inflação no  Egito é cronicamente alta, e  chegou a quase 11% em 2010.<br />
No rico Bahrein, a inflação  foi de 1,5%. Na Tunísia, de  cerca de 4,5%, assim como  na Líbia, ora em guerra civil.  O PIB líbio cresceu 10,6% e o  PIB per capita é quase o triplo  do egípcio, além de o Estado  oferecer mais serviços sociais, pagos com petróleo.<br />
Mas o preço dos grãos chegou a subir 30%, e a inflação  anual da comida é de 20% no  Egito, onde trigo e milho são  os alimentos básicos dos  40% da população pobre.  Em 2008, já houvera protestos de rua contra a carestia.<br />
A inflação dos alimentos  deveu-se ao aumento do consumo global, liderado por  China e Índia, e de alguma  especulação financeira. Mas  não apenas. Na Tunísia e, em  particular, no Egito, houve  redução da subvenção estatal ao consumo de comida (e  de combustíveis), a fim de reduzir o gasto público.</p>
<p><strong>ECONOMIAS DIFERENTES</strong><br />
As economias do Mena6  são diferentes do grupo Mena-exportador de petróleo: a  renda per capita é menor,  oferecem menos serviços sociais, são menos integradas  ao comércio mundial. Mas  dentro do Mena6 há diferenças grandes também entre  Egito e Tunísia, por exemplo,  os focos da revolta.<br />
A economia tunisiana é  sincronizada com a da União  Europeia. Entre 75% e 90%  das receitas de exportação,  turismo, de remessas de imigrantes e do investimento estrangeiro (somados, 75% do  PIB) vêm da Europa. A recessão de quase 5% na eurozona  empobreceu os tunisianos,  em particular os dependentes de remessas de parentes  trabalhadores na Europa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/449/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/449/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/449/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/449/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/449/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/449/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/449/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/449/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/449/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/449/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/449/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/449/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/449/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/449/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=449&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Esclarecimento ou O Cavaleiro e Os Moinhos</title>
		<link>http://panscopia.wordpress.com/2011/01/29/esclarecimento-ou-o-cavaleiro-e-os-moinhos/</link>
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		<pubDate>Sat, 29 Jan 2011 08:24:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dialogarte]]></category>

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		<description><![CDATA[Em respeito aos leitores do nosso blog (sim, eles existem!), creio sejam necessários alguns esclarecimentos. Já faz mais de um ano que não coloco algo sério por aqui. Melhor: algo &#8220;profundo&#8221;, ou que eu, com uma pequena parcela de presunção, &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2011/01/29/esclarecimento-ou-o-cavaleiro-e-os-moinhos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=429&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://panscopia.wordpress.com/2011/01/29/esclarecimento-ou-o-cavaleiro-e-os-moinhos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/UvDYZgpyydU/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Em respeito aos leitores do nosso blog (sim, eles existem!), creio sejam necessários alguns esclarecimentos.</p>
<p>Já faz mais de um ano que não coloco algo sério por aqui. Melhor: algo &#8220;profundo&#8221;, ou que eu, com uma pequena parcela de presunção, considere dessa maneira.</p>
<p>Prometi a Gabriel, ao mesmo tempo que prometi a mim mesmo, que iria desenvolver uma resposta ao texto dele <em>E também ao despropósito das eleições presidenciais </em>assim que encerrasse o período na faculdade. A promessa, contudo, não será cumprida.</p>
<p>Há muito tempo atrás, pouco mais de um ano e meio<a href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Estudos/Esclarecimento%20leitores%20panscopia.docx#_ftn1">[1]</a>, cimentei o compromisso pessoal de elaborar artigos, estudar bastante, enfim, organizar melhor as ideias. Mas a verdade é que nada disso aconteceu.<span id="more-429"></span></p>
<p>Em junho ou julho de 2009, inscrevi-me num concurso de monografia da universidade particular em que vinha estudando Letras – a Universidade Tiradentes (UNIT). Em seguida teve início o período curricular, tentei uma primeira vez voltar ao curso de Direito na Universidade Federal de Sergipe (UFS), matriculando-me em três matérias, mas não deu certo. Somando-se com o curso de Letras, tinha ficado com o total de nove matérias. Fiquei confuso por mais ou menos três meses, nunca gostei de fazer as coisas de qualquer jeito, na base do tanto-faz, empurrando os compromissos com a barriga – o que, aliás, acaba por descomprometer o compromisso, isto é, o sentido dele. Até que resolvi trancar as disciplinas na federal, ocupando-me somente com o curso de Letras.</p>
<p>Alguma coisa parecia estar errada. Se tinha certeza de minha decisão de deixar o curso de Direito, por que raios insistia em arranjar alguma maneira de voltar? Era dessas perguntas básicas, elementares, introdutórias, que temos tanta dificuldade de lembrar quando nos encontramos prostrado entre dúvidas&#8230;o intelecto vegetando num quarto apertado de angústias.</p>
<p>Em meados de março de 2010, começou o período na UFS. Antes disso já havia resolvido tentar novamente conciliar os cursos, tinha me matriculado dessa vez em duas disciplinas. Com as seis disciplinas do curso de Letras, somavam-se oito. É, dá pra segurar, eu pensei. Novamente estava errado. Isso foi o que constatei, não o que concluí. E no entanto mais importante mesmo era a conclusão: o erro maior não residia no cálculo, mas na equação aplicada. Poderiam ser seis disciplinas no total, ou cinco, ou ainda um número menor, mas o erro permaneceria, pois a equação não continuaria a resolver o problema – ou, dito de outra forma, a equação não serviria para encontrar o “x”.</p>
<p>Qual era então o erro essencial? A enorme dificuldade em conciliar dois cursos de diferentes orientações profissionais. Não, não. Eu tinha dois propósitos diferentes com os cursos de Letras e de Direito. Com o curso de Letras eu tinha o propósito de me dedicar à minha formação filosófica, com o curso de Direito eu queria apenas aproveitar seu caráter mais técnico e prático para garantir minha profissão. Aí está o busílis, o tal “x”.</p>
<p>No momento, eu não estou interessado em desenvolver qualquer elaboração teórico-crítica. Mas é do meu mais íntimo interesse me voltar à formação filosófico-científica geral, sem necessariamente, para isso, ligar-me/filiar-me a uma determinada orientação e corrente de pensamento que tenha contribuído à interpretação sobre a formação histórico-econômica dos povos, bem como ao domínio dos estudos epistemológicos – isto é, o marxismo.</p>
<p>Com tudo isso, parecerá contraditório que eu queira, mesmo assim, reafirmar meu compromisso com a tradição marxista. Não considero que haja aí um conflito; pode-se buscar a reafirmação de um elemento submetendo os demais à prova da razão. Apenas tal processo exige do intérprete um grau mínimo (o único possível) de afastamento, de isenção.</p>
<p>De todo modo, para que a discussão não gire em torno dessa que, para mim, é uma contradição razoável e compreensível, reafirmarei meu compromisso com a luta dos trabalhadores em direção a um projeto societário alternativo e logicamente antagônico ao modelo de produção vigente – o comunismo.</p>
<p>Aliás, só assim, com esse período de reflexão, me sentirei apto aos desafios apresentados por nós em <em>Nossa proposta</em>:</p>
<p>&#8220;Grosso modo, através de simples operação matemática – uma realidade que não mudou + pessoas que fingem tentar mudar a realidade – é que se decidiu pela criação de Panscopia, instrumento para instrumentalizar. Não é uma tautologia para velar uma forma oca: criticamos a atuação acadêmica/intelectual não-militante. Propõe-se, então, construir um veículo que possibilite uma rearticulação dos interesses históricos da classe trabalhadora e das ferramentas necessárias para a realização deles. Contudo, sem tropeçar em imediatismos, ou em desesperos embutidos na espera de que as transformações sociais e a superação do capital ocorrerão de um dia para o outro, trata-se de voltar à tarefa de compreender a sociedade,<em>muito</em> determinada, com o rigor <em>teórico</em> e <em>científico</em> que ela exige:<em>“Ciência e paciência, certa é a tortura”</em> (Rimbaud, em <em>Uma estadia no inferno</em>)&#8221;.</p>
<p>Tem mais.</p>
<p>Muito aconteceu do ano de 2009 para cá. Digo, muito aconteceu na minha vida. Mas, com sinceridade, não creio que tenham alguma relevância para compreender o porquê de eu ter alimentado tantas dúvidas quanto aos nossos ousados projetos, e ao mesmo tempo quanto às minhas presunçosas ambições de “garoto que ia mudar o mundo”. Apaixonei-me duas vezes, idealizei mulheres ao longo de muitos anos, isso só me trouxe tristeza e frustrações. Vá por mim, não é uma boa ideia ser romântico.</p>
<p>Se você se apaixona, só pode ser sinal de que você não se sente muito bem consigo mesmo. Afinal, paixão, no grego entendida como <em>eros</em>, é falta, é necessidade de completar-se com aquilo que você julga carecer. Então você deposita tudo aquilo que lhe falta na pessoa por quem você se apaixona e tenta envolvê-la no seu turbilhão imaginário de sentimentos – a experiência acaba por ser intensa, uma enchente implacável, ou, talvez menos, um rio caudaloso, mas de toda forma traumática, para você e para a pessoa. E sabe o que acontece? No final, a pessoa é tão carente quanto você. Ela sente as mesmas faltas, pois ninguém pode ser tão completamente completo – na verdade, somos apenas completos naquilo que essencialmente somos&#8230;incompletos. E assim nos completamos numa incompletude universal.</p>
<p>(– aliás, quem não já ouviu que o universo se expande a cada dia? Nós nos expandimos como o sol também a cada dia se expande, como bólides passam, como vagalumes piscam dançando bruxuleantes numa madrugada azul de tensão esperançosa. As orações estendem-se, a linguagem então se expande no pensamento que relampagueia. Sou uma estrela que fala trêmula seu brilho de desespero à Terra.)</p>
<h1><strong>!</strong></h1>
<p>Porra nenhuma, sou humano, só.</p>
<p><em>(Tyler Durden says l</em><em>isten up, maggots. You are not special. You are not a beautiful or unique snowflake. You&#8217;re the same decaying organic matter as everything else.)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tá, alguém já disse que sou verborrágico. Mas no sentido poético, esse alguém me disse logo depois, de um jeito simpático. Mesmo assim, penso que a breve reflexão tenha lá alguma lógica. E, vejam, eu disse que <em>não creio que tenham alguma relevância para compreender o porquê de eu ter alimentado tantas dúvidas</em>. Contudo, acabei dedicando um grau de importância que inicialmente não esperava. Fazer o quê&#8230;</p>
<p>E como se não fosse o bastante, preciso afastar-me para cuidar de atividades de formação profissional. Quero dedicar-me à jurisprudência, e para isso é necessário obcecar-me pelo aprimoramento teórico-prático no Direito. Matriculei-me em dois cursinhos no início deste ano, um destinado à preparação para o concurso do TRT, outro de atualização jurídica. Preciso urgentemente de um emprego, ganhar meu salário, para que assim possa custear meus estudos e ser dono pleno de minha vida e minhas decisões.</p>
<p>Fica, para concluir, meu abraço e um obrigado a todos/as que nos visitam.</p>
<p>Até breve, assim espero.</p>
<p>“<em>E procuraria se libertar do seu círculo fechado e asfixiante, incorporando o seu saber técnico e as suas conquistas à obra madura que sonhava realizar, conscientemente procurando esquecer o que sabia, para alcançar, através do trabalho e de outra disciplina, a sua técnica e expressão próprias, verdadeiramente livres, pouco importando o preço que tivesse de pagar”</em> <em>(Autran Dourado, “Um artista aprendiz”, p. 271)</em></p>
<p><strong>Danilo Vilela</strong></p>
<div>
<hr size="1" />
<div>
<p><a href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Estudos/Esclarecimento%20leitores%20panscopia.docx#_ftnref1">[1]</a> Na verdade, creio ter sido algumas semanas depois da publicação daquele que se tornou o nosso texto mais conhecido, <em>Esquerda Reafirmada</em><em>.</em></p>
</div>
</div>
<p><strong><br />
</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/429/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=429&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Encontros e desencontros entre a vida e o cinema</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 20:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dialogarte]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou postando dois textos meus sobre o programa de curtas-metragens nacionais unidos em Encontros e desencontros do amor. O primeiro é uma resenha em crise existencial, e por isso acha que é uma crônica. E o segundo é uma sinopse &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2011/01/10/encontros-e-desencontros-entre-a-vida-e-o-cinema/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=422&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou postando dois textos meus sobre o programa de curtas-metragens nacionais unidos em <em><a href="http://www.programadorabrasil.org.br/programa/146" target="_blank">Encontros e desencontros do amor</a></em>. O primeiro é uma resenha em crise existencial, e por isso acha que é uma crônica. E o segundo é uma sinopse de cada curta; as sinopses querem colocar à prova o Sonho Pós-Moderno, tornando-se deliquentes sentimentais, e para isso disfarçaram-se de opiniões instantâneas e violentas.</p>
<p>O primeiro, na verdade, é produto do segundo. Repetições não serão nem coincidências nem faltas técnicas.</p>
<p>Sugestão: assistam aos curtas ao invés de apenas ler os textos. Podem ser encontrados no <a href="http://www.portacurtas.com.br">Porta Curtas</a>; um deles acho que não está lá, mas pode ser assistido no <a href="http://www.youtube.com">YouTube</a>.</p>
<p>Sugestão 2: não deixem de ler os textos!</p>
<p>Gabriel.<br />
&#8212;&#8212;</p>
<p>Pouquíssimas vezes damos um intervalo ao que gostamos para tentar descobrir o que fez com que esses gostos nos tomassem. Por exemplo, podemos adorar o cinema – não somente o filme, mas também o filme sendo rodado em um projetor, exibido em um telão branco, sendo assistido por espectadores sentados em poltronas pretas (melhor ainda se vermelhas!), momento simultâneo a tantas pessoas em uma mesma sala -, porém sem nunca investigarmos o porquê da adoração.</p>
<p>Uma opção é pensar que o cinema é tão fantástico por nos levar temporariamente a mundo de fantasias, a uma realidade que não a nossa (e muitas vezes a de ninguém). Para fugir, quando crianças nos escondemos sob a cama e quando adultos nos escondemos na câmara escura onde a única luz é aquele fio que passa por sobre nossas cabeças.</p>
<p>Só que essa opção é tão rotineira quanto nossos gostos impensados. E toda explicação automática é como o jogador de futebol que, por todo mundo e ele mesmo terem a certeza ser um atleta experiente, para de treinar o passe básico e entra em campo sem aquecer: erra os lances essenciais e ainda termina a exibição com uma câimbra.</p>
<p>Remando contra a maré, convido os leitores a embarcarem dentro de um navio pirata e corajosamente andarem na prancha, até precisarem pular fora da embarcação. Seu nome é <em>Encontros e desencontros do amor</em>, e quem dará empurrões, se necessário, serão os curtas-metragens nacionais do programa <em></em>. O que se passará? Quando pularem, sentirão aquela sensação de não pisar em nada, de incerteza; porém, também de liberdade.</p>
<p>Andar nessa prancha não será qualquer fuga da realidade; a cada passo, lugares-comuns sobre o amor irão ficando para trás, como que caindo de bolsos furados. Não serão histórias sobre o outro que não existe. Serão sobre nós, que amamos sempre. Mas como os mais sinceros convites são aqueles insistentes e detalhados, não posso parar aqui.</p>
<p>Se nos acostumamos a dizer que o amor é como uma flor, o sol, um pássaro, uma obra de arte, um “raio galopando em desafio”, vamos nos surpreender com ele desenhado como vendaval que arrasta casas e quebra copos; como sentimento que precisa ser brutalizado para renascer; como faca que corta e lembra a cor dos amantes: vermelho-sangue.</p>
<p>Se analisamos amor e paixão como sentimentos diferentes, nossa enciclopédia será embaralhada pelos verbetes “amor desesperado” e “paixão romântica”. Se estamos, estrada afora, no quilômetro onde o amor é sólido e certo, seremos levados ao <em>Km 0</em>, onde teremos as mesmas opções que Neo em <em>A Matrix</em>: ou tomamos a pílula azul e acreditamos que era o ponto de reencontro, ou tomamos a pílula vermelha e aceitamos que aquele foi um ponto de partida, que instantaneamente tornou-se novo destino (no lugar de quem nos espera no Rio de Janeiro, em São Paulo ou qualquer outro lugar).</p>
<p>Faltará para pular e refazer o inventário de nossas definições e citações poéticas que dissecam o amor inverter nossa síntese do sentimento; aí chegaremos à ponta da prancha, na fronteira com o espaço. Então, se é consenso que amor é substantivo abstrato, <em>Amor! </em>fecha o programa defendendo que é concreto, substantivo muito concreto; sugere que, talvez, nem as princesas deveriam acreditar em contos de fadas.</p>
<p>Não haverá necessidade de arrependimentos pela caminhada na prancha. A única saída do navio disponível a esta altura só será atingida pelo salto, mas ele não nos levará a um mar, com fundura desconhecida, de insegurança e pessimismo; o destino será apenas a piscina no fundo de casa. Voltaremos a nós mesmos, com diferentes profundidades e dimensões de amor para sentir. A dúvida diante da diversidade de sensações será a pólvora que ficou em nosso corpo após a passagem pelo navio pirata, queimando para que amemos sempre mais. Do jeito que quisermos.</p>
<p>__________</p>
<p>Pirata a pirata:</p>
<p><strong>Castelos de vento (Tania Anaya, 1998)</strong></p>
<p><em>Castelos de vento </em>é quem dá o primeiro empurrão em direção à ponta da prancha do navio. “Destruir casas e arrastar pessoas pode ser obra do vento, ou do amor” é uma sinopse atribuída ao curta. Mas, na verdade, ele desenha o próprio amor como vento, como vendaval, imagem idolatrada no amor idealizado e temida no amor realizado.</p>
<p>Ansiamos por aquele amor capaz de erguer montanhas, e em breve o desprezamos pela descoberta de ser o mesmo sentimento que leva ao chão nossos copos. A diretora Tania Anaya definiu o amor de seu curta como um “amor terminal”, por estar já em meio à turbulência. Será que todo amor já não é também terminal? Amar é sempre um risco.</p>
<p>Buscando confundir nossos referenciais rotineiros, sugiro uma pista aí meio embrulhada, pedindo para ser desdobrada: se é o vento amor, este já existe no mundo antes de nós, e por ele somos carregados? Acertaram Lennon e McCartney ao dizerem que tudo do que precisamos é amor? Ou será que ele é algo menos insubordinado, e temos possibilidade de construí-lo e dominá-lo?</p>
<p><strong>Km 0 (Marcos Guttman, 2003)</strong></p>
<p>Sempre há alguém arteiro, que ameaça dar o segundo empurrão, mas apenas toca nossas costas. Lembremos que mesmo sem dar um segundo passo, há suspensão da respiração.</p>
<p>Penso que o diretor Marcos Guttman comportou-se aqui à semelhança de Morfeu no filme <em>The Matrix </em>(Andy e Larry Wachowski, 1999). Podemos tomar a pílula azul e tranquilamente felicitarmos as personagens por terem o reencontro antecipado em algumas horas.</p>
<p>Mas podemos tomar a pílula vermelha e nos deparar com a incerteza do amor intrometido. O km 0 pode não ser o do reencontro, mas sim o do início. O ponto a partir do qual os destinos planejados no Rio de Janeiro e em São Paulo ficaram para trás; onde a convicção de reatar esfumaçou-se como o giz-pastel sob pressão de dedos que mudaram de ideia.</p>
<p><strong>Trópico das cabras (Fernando Coimbra, 2007)</strong></p>
<p>Corre-se contra o tempo; a espera anestesia novamente nossos sentidos, e para que a pausa anterior<em> </em>seja compensada é que somos forçados a dar um grande passo de uma só vez.</p>
<p>Impossível não lembrar, associando enredo e título, da velha história a respeito de como os homens perdiam a virgindade no interior. Sim, e é adentrando essa atmosfera que o casal procura a resposta para a questão: há como “salvar” uma relação?</p>
<p>É difícil aceitar o diferente de nós mesmos. É difícil abrir-se à possibilidade de que, se nós pensamos salvar um amor que se tornou bruto, outros apostam na animalização do amor para refunda-lo.</p>
<p><strong>A vida ao lado (Gustavo Galvão, 2006)</strong></p>
<p>Não escrito.<strong><br />
</strong></p>
<p><strong>A mulher do atirador de facas (Nilson Villas Boas, 1988)</strong></p>
<p>Vamos percebendo que conhecer o amor é praticamente começar a amar. Pois se tínhamos nos vendado ao pé da prancha, o pano aos poucos se solta, mostrando o que ainda não conhecemos; abandonar antigas referências torna-se agregar novas. Tão paradoxal quanto o próprio sentimento.</p>
<p>As analogias amorosas são tantas quantas vezes as pessoas se apaixonam. Amor é como uma flor, como o sol, como uma obra de arte, como um pássaro, “como um raio galopando em desafio”&#8230; E se todo amor for terminal, bem pode ter o corte de uma faca.</p>
<p>Pois é, talvez intenso não seja o amor das flores, jantares e poemas; e sim aquele que corta, ameaça, cuja coloração violeta apenas esconde a violenta tentação de vermelho-sangue.</p>
<p><strong>Interlúdio (Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil, 1983)</strong></p>
<p>Um pouco antes de darmos o passo final e atingir a fronteira entre a ponta da prancha e o salto, nada melhor que voltar ao início, ao nosso km 0.</p>
<p>Amamos muito, o tempo todo e até invertendo prescrições poéticas. O que já foi romantismo eterno de um lado e desespero efêmero de outro, aqui se torna “amor desesperado” e “paixão romântica”.</p>
<p>É por nos permitirmos esse caos sentimental que nos obrigamos a pegar aquelas temporadas sem envolvimentos, deixar o coração bater mais devagar para economizar um pouco com remédios e cardiogramas.</p>
<p>Contudo, até nossas pausas são apaixonadas. Talvez os Beatles acertaram, tudo de que precisamos é de amor. Nosso ponto de partida tornou-se nosso ponto de chegada.</p>
<p><strong>Amor! (José Roberto Torero, 1994)</strong></p>
<p>Chega o momento que, faltando 1 ou 5 passos, somos empurrados até pular da prancha.</p>
<p>Se muitas vezes o cinema é a fantasia, a fuga da realidade, em algumas outras ele faz a própria crítica dessa idealização. Se amor é substantivo abstrato, “Amor!” é concreto; avisa-nos que nem as princesas levariam muito a sério os contos de fadas.</p>
<p>Não há necessidade de arrependimentos pela caminhada na prancha. O salto que agora nos tira a certeza do chão rotineiramente pisado tem como destino não o mar, e sim a piscina do fundo de casa. Voltamos a nós mesmos com diferentes níveis de amor para escolher. A dúvida diante da diversidade de sensações será a pólvora para que amemos sempre mais. Do jeito que quisermos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/422/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/422/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/422/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=422&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Romênia é aqui: a política da câmera e a imagem da política</title>
		<link>http://panscopia.wordpress.com/2010/10/25/a-romenia-e-aqui-a-politica-da-camera-e-a-imagem-da-politica/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Oct 2010 15:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dialogarte]]></category>

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		<description><![CDATA[Penso que o cinema é sempre, ou quase sempre, uma caixa de possibilidades. Mesmo que determinada peça cinematográfica esteja nos extremos de um &#8220;documentário realista&#8221; ou de uma &#8220;fiçcão totalmente imaginada&#8221;, os desdobramentos possíveis de serem feitos pelos espectadores podem &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2010/10/25/a-romenia-e-aqui-a-politica-da-camera-e-a-imagem-da-politica/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=415&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Penso que o cinema é sempre, ou quase sempre, uma caixa de possibilidades. Mesmo que determinada peça cinematográfica esteja nos extremos de um &#8220;documentário realista&#8221; ou de uma &#8220;fiçcão totalmente  imaginada&#8221;, os desdobramentos possíveis de serem feitos pelos espectadores podem ir ao pólo oposto &#8211; sem falar, é claro, nas infinitas possibilidades intermediárias. Ou seja, além de coisas diretamente apreensíveis como objetivo(s) do  diretor e roteirista, há sempre outras coisas que dão novas  possibilidades de interpretação e conhecimento do mundo. Afinal, arte também é uma forma de conhecer.</p>
<p>Assisti ontem ao filme de estreia do diretor romeno Corneliu Porumboiu, <em>A leste de Bucareste </em>(<em>A fost sau n-a fost?</em>, 2006), que coloca-nos  perante embates Históricos (afinal, história existe objetivamente ou é sempre a hegemonia de certa construção discursiva?), urgências políticas sobre nosso próprio espaço, e &#8211; principalmente &#8211; os potenciais e perigos de uma câmera. Em primeiro lugar, é um filme ao mesmo tempo apaixonado e em crise com o cinema.</p>
<p>Não vou fazer uma descrição do filme, isto não é uma sinopse ampliada. Atenho-me a alguns detalhes (quem não assistiu e não gosta de saber coisas de um filme antes de vê-lo, pare agora e volte para terminar depois de assistir).</p>
<p><span id="more-415"></span>Numa dimensão mais específica, em paralelo com críticas políticas, há a  possibilidade de uma  crítica ao próprio jornalismo. Oras, mas não é  exatamente daquele jeito?  Perguntas irrelevantes com entrevistados  querendo falar de coisas além  da mediocridade televisiva pasteurizada &#8211;  mesmo que seja invenção apenas  para construção de uma imagem -, e os  âncoras achando que estão &#8221; abafando&#8221;? Com exceções tanto para bons  jornalistas quanto para  entrevistados medíocres, talvez seja o que mais  acontece.</p>
<p>Mas creio que o central encontra-se naquelas frases finais do narrador; são fantásticas. De início, parece que é o  <em>camera man</em> do programa televisivo quem está pensando, e cujos pensamentos escutamos; porém, a voz continua depois que ele sai de cena e depois que a cena muda. Imagino ser o próprio diretor, dizendo algo como &#8220;Por isso eu decidi  ficar atrás da câmera, e deixar aqueles idiotas se acotovelarem para se  enquadrarem&#8221;. Nada menos que um incisivo testemunho pessoal, agressivo e apaixonado, sobre o  cinema, mas também sobre a televisão e a câmera em geral.  Os potenciais e limites/perigos do uso &#8211; e propagação ampliada &#8211; da  imagem. A mesma voz no final comenta das lâmpadas se acendendo juntas,  provocando um brilho &#8220;bonito e tranquilo&#8221;, como são as lembranças dele  [do dono da voz] sobre a &#8216;revolução&#8217;. Por fim, o fato de ser filme de estreia  do diretor é algo que reforçou essa minha hipótese.</p>
<p>Há outros pequenos detalhes cheios de possibilidades. Por que afinal a única diversão infantil mostrada é as  bombinhas? Das duas, uma: ou foi uma escolha por algum motivo, ou é um  espelhamento da realidade. Talvez seja o que tenha sobrado de um regime  opressor (e nada comunista) para as crianças, assim como na maior parte  das cidades brasileiras o que o capitalismo lega como entretenimento são  shoppings &#8211; e apenas shoppings. A exclusividade de um elemento que remete à própria degradação espiritual (sem qualquer sentido místico aqui) que leva às pessoas a tal &#8220;lazer&#8221;.</p>
<p>E é curioso: por que um chinês  vendendo bombinhas na Romênia? Numa pesquisa rápida, descobri que depois da intervenção da URSS, a  Romênia &#8211; até 1989 &#8211; passou a maior parte do tempo como parceira da  China e em tensão com a URSS. Nessa &#8220;brincadeira infantil&#8221; do filme pode estar  contida uma outra ácida crítica política. Inclusive, quando perguntado  no programa por que vendia as bombinhas, o chinês responde simplesmente: &#8220;Oferta e  demanda&#8221;.</p>
<p>Por fim, a questão-motora do enredo não é casual. Pelo que descobri por  agora, a questão de se aconteceu ou não uma revolução em 89, como foi,  qual o papel dos principais personagens, é um debate em aberto para os  romenos. Faz parte da história deles até  hoje, e que foi transposta para um humor negro, mas por um diretor preocupado com a realidade de seu povo. Sabem toda aquela lentidão inicial que nos incomodou, que foi superada quando o programa de  TV começa? Bem, além da apresentação dos personagens, é muito mais um pretexto para colocar ao espectador o seguinte: &#8220;Está vendo o carro nesta cena? Agora preste atenção por onde ele  passa. Preste atenção nas preocupações das pessoas, neste bêbado, neste  jornalista medíocre, naquele professor que estimula o companheiro de  profissão a inventar notas, na pobreza das ruas, nas crianças que se  divertem miniaturizando a sonoridade de uma guerra, etc. Faz diferença  mesmo continuarmos discutindo o que aconteceu? Afinal, o que vale a pena  não é discutirmos nosso país hoje?&#8221;.</p>
<p>Longe de qualquer esterilidade pós-moderna; não nego a importância crucial da história. Existe história objetiva, e é nela que encontravam-se os elementos hoje altamente desenvolvidos. Mas&#8230; Quando vamos deixar de achar que a disputa retórica pelo passado muda os rumos futuros? Não é a Razão hegeliana o motor e fim da história, mas sim a ação humana coletiva.</p>
<p><em>Gabriel G. Lourenço é estudante de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/415/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=415&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>E também ao despropósito das eleições presidenciais</title>
		<link>http://panscopia.wordpress.com/2010/10/25/e-tambem-ao-desproposito-das-eleicoes-presidenciais/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Oct 2010 03:46:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opiniões (e só)]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de tanto tempo com o blog parado, as duas postagens mais recentes apresentam duas características: 1) uma relativa discordância entre os editores de Panscopia; 2) atualização do blog justamente em período eleitoral. Destaco especialmente o segundo item como autocrítica, &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2010/10/25/e-tambem-ao-desproposito-das-eleicoes-presidenciais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=389&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de tanto tempo com o blog parado, as duas postagens mais recentes apresentam duas características: 1) uma relativa discordância entre os editores de Panscopia; 2) atualização do blog justamente em período eleitoral. Destaco especialmente o segundo item como autocrítica, pois por um lado a nossa proposta é fruto &#8220;(&#8230;) de simples operação matemática –  uma realidade que não mudou + pessoas que fingem tentar mudar a  realidade – [e por isso] é que se decidiu pela criação de Panscopia, instrumento para  instrumentalizar&#8221;. Só que, por outro lado, reproduzimos o mesmo pragmatismo implícito na crítica inicial: sem estarmos nos dedicando a alguma análise rigorosa de, se não todos, pelo menos alguns elementos estruturais e conjunturais do Brasil agora, pretendemos nos manifestar por &#8220;breves comentários&#8221;.</p>
<p>Deixo esta autocrítica publicada aqui não por formalismo ou por &#8220;desencargo de consciência&#8221;, mas como mais uma maneira de forçar eu e Danilo a levarmos isto mais a sério, já que nunca pensamos como mero blog, e sim como ponto de partida de outros projetos.</p>
<p>Ao ponto.</p>
<p><span id="more-389"></span>Assim como Danilo, desliguei-me praticamente do PT há um ano, por motivos semelhantes aos resumidos por ele. Na verdade, ainda é uma pendência nossa uma elaboração de &#8220;autoesclarecimento&#8221;, essencial como ponto de chegada que cumpre papel também de ponto de partida. Além de uma certa desorganização, não priorizamos isso principalmente pelo texto que <a href="http://panscopia.wordpress.com/2009/04/12/esquerda-reafirmada/" target="_blank">publicamos</a> combatendo o rídiculo republicanismo argumentado pelo Tarso Genro e Vinicius Wu; contudo, é importante lembrarmos que naquela ocasião ainda DEFENDÍAMOS o PT como alternativa para a luta socialista revolucionária. De lá para cá, passando pela saída de ambos do PT, fizemos nossas reflexões, individuais e conjuntamente, mas de forma mais fragmentada e dispersa, não sintetizada. Por isso, é uma pendência nossa, para a própria elaboração coerente e unitária que queremos imprimir a Panscopia e nossa militância.</p>
<p>Por que retomo isso? Bem, primeiro obviamente para marcar publicamente a pendência e o compromisso que temos em fazer isso. E segundo, porque parece-me que tal pendência encontra-se em boa parte dos partidos da esquerda brasileira que, teoricamente, romperam com o PT &#8211; rompimento no sentido estratégico-tático, e não no moralista (ou seja, justificado por casos de corrupção, &#8220;falta de ética&#8221;, etc.). Claro, é indiscutível o fato de que muitos trabalhadores e profissionais liberais que hoje &#8220;rompem&#8221; com o PT é devido à dimensão moral, seja por casos julgados e comprovados, seja apenas por denúncias não comprovadas; mas não é isso que deva orientar, em primeiro lugar, as decisões das organizações revolucionárias*:</p>
<p>1 &#8211; Em primeiro lugar, é estapafúrdio afirmar que existe uma tentativa de golpe em curso, e que, mais do que eleger Dilma, precisamos &#8220;armar o contragolpe&#8221;. Há certas categorias teóricas &#8211; que, enquanto tais, são <em>reproduções ideadas do movimento da realidade</em> &#8211; cuja redução é justificada em certas lutas políticas; mas há outras que não podem ser instrumento de mera agitação, restrição que defendo a &#8220;golpe&#8221;. De uma forma geral, golpe refere-se sempre a tentativas de tomar um dado poder político (que pode ir desde um Centro Acadêmico ao comando do Estado) por alguma via que <em>nega ou se contrapõe</em> aos parâmetros jurídicos-legais-contratuais definidos previamente para uma disputa, podendo ocorrer durante o próprio período temporal estabelecido para a disputa ou fora dele. Ou seja, em se tratando da disputa para gerir o poder de Estado, falar em golpe é falar dos limites do Estado Democrático Republicano! Refere-se a uma situação de intenso conflito interno à coalizão (sempre instável, longe da aparência monolítica caricaturada pela esquerda) das classes dominantes, que pode estar acompanhada ou não de uma mobilização extra-ordinária das classes trabalhadoras; mas, de qualquer forma, refere-se sempre a um conflito interno aos setores burgueses (uma situação limite de tomada do poder pelos trabalhadores não é golpe de Estado, é revolução &#8211; que pode degringolar em seu desenvolvimento, obviamente), que extrapola os próprios limites constitucionais, jurídico-legais, etc.</p>
<p>2 &#8211; Assim, tendo em conta as amplas proporções de uma situação de golpe, tanto quanto às consequências para os trabalhadores, quanto ao grau de divergência entre os setores burgueses, justifico minha posição de não usarmos &#8220;golpe&#8221; como agitação em qualquer disputa política, <strong>ainda mais na qual é objeto de nosso interesse, o segundo turno das eleições presidenciais de 2010</strong>. O que há é um forte apelo de marketing, de <em>ambas</em> as partes, para quebra de votos do adversário (ou da adversária). São amplos e diversos os ataques publicitários: acusações na propaganda eleitoral transmitida por televisão e rádio; panfletos (encomendados diretamente, ou produzidos por setores que apoiam cada uma das candidaturas) distribuidos, por exemplo, em igrejas, cultos, missas, celebrações religiosas, mas também em universidades, filas, etc.; micropostagens por usuários que apoiam uma ou outra candidatura no <em>Twitter</em>; as já clássicas &#8220;correntes&#8221; (iniciadas por &#8220;Enc:&#8221; ou &#8220;Fwd:&#8221;, com letras maiúsculas no campo &#8220;Assunto&#8221;) enviadas aos e-mails; <em>spams</em> vindos de redes virtuais de ambas as candidaturas; etc. As acusações têm sido de todos os tipos: oficialmente e objetivamente verdadeiras, oficialmente falsas mas objetivamente verdadeiras, e oficialmente verdadeiras mas objetivamente falsas (incomum, mas não impossível).</p>
<p>3 &#8211; Ou seja, <strong>as duas candidaturas estão recorrendo às mesmas táticas</strong>, com o mesmo esvaziamento programático, e uso exclusivo do apelo marqueteiro: recorre-se a informações rápidas, curtas e sempre duvidosas.  Ora, não apenas a briga entre carolas ridícula, mas os próprios números aclamados de lado a lado. Acertadamente, um professor com quem tive aula de Estatística disse certa vez: &#8220;Se você apertar os números, os faz falar o que você quiser&#8221;. Não podemos nunca esquecer que estatística também é ideologia. Contudo, por mais &#8220;antiético&#8221; que pensemos ser essa postura, ela não aponta para qualquer golpe.</p>
<p>4 &#8211; Mas, por outro lado, creio que o mais delicado é justamente os setores da esquerda que estão apoiando &#8220;criticamente&#8221; Dilma Rousseff estarem fazendo apenas a parte do &#8220;apoio&#8221;. Na medida em que Dilma, sua coordenação de campanha, e sua coligação <em>aderiram</em> à tática de Serra e sua coligação, também estão contribuindo para um segundo turno &#8220;conservador&#8221;, &#8220;moralista&#8221;, &#8220;retrógrado&#8221;, etc. Refiro-me não apenas à problemática do aborto, mas à <em>evangelização </em>de um modo geral da campanha presidencial. Em <a href="http://media.folha.uol.com.br/poder/2010/10/15/carta_mensagem_dilma.pdf" target="_blank">carta recente</a> isso fica muito claro, além da afirmação feita em debate televisivo de que ela vai ganhar &#8220;se Deus quiser&#8221;. Uso as aspas porque, antes de eu usar aqueles termos, todos os grupos em torno de Dilma usaram-nos para definir a campanha feita pela candidatura Serra. Tomo as palavras que nós, que nos pretendemos esquerda socialista revolucionária, usamos para criticar a candidatura Serra, para transformar em crítico o apoio dado à candidatura Dilma. Não é uma pretensão minha; apenas acho insuficiente a crítica ficar na dimensão estratégica.</p>
<p>5 &#8211; Por isso, discordo de afirmações como a dada por Maria Rita Kehl, em entrevista à <em>Carta Capital</em> (15/10/10), quando ela afirma que &#8220;é responsabilidade sim, do PSDB e da campanha Serra o tom fascistóide que estas coisas estão adquirindo&#8221;. Discordo por avaliar que é insuficiente: é necessário reconhecer que as duas candidaturas têm sido ativas nesse processo de &#8220;endireitamento&#8221; da campanha do segundo turno. Nós não podemos nos surpreender, no futuro, se aparecerem efeitos disso em um <em>governo Dilma</em>; não temos nem controle, nem ao menos informações, sobre os acordos e negociações que estão sendo feitas para aumentar o apoio à candidatura Dilma, nem em relação aos setores religiosos, nem em relação a qualquer outro. Os principais acordos não são feitos publicamente. Assim, um governo Dilma mais conservador do que o esperado é bem factível, e os socialistas que estão apoiando esta candidatura precisam reconhecer, desde já, a contribuição que têm em sua provável eleição. Não existe retroatividade quando se pretende &#8220;lavar as mãos&#8221;.</p>
<p>6 &#8211; Para encerrar, uma síntese contrapondo-me, em certa medida, ao Danilo, e a todo mundo que está compartilhando midiaticamente da mesma opinião &#8211; claro, porque não é só Veja, Globo, SBT, Época, IstoÉ, Folha, Estadão que tomam posição; Carta Capital, Conversa Afiada, Brasil de Fato, e vários professores e intelectuais bem conhecidos também: a) falar em &#8220;golpe&#8221; na <strong>atual </strong>conjuntura é descabido, exageradamente panfletário e nos coloca lentes míopes para fazer análises de conjuntura futuras e planejamento de ações; b) óbvio que o foco programático é o mais importante. Só que agora &#8220;seria&#8221; o mais importante; quem tinha expectativa de que a candidatura Dilma, em confronto com Serra, colocaria neste plano ainda não conseguiu &#8211; ou não quer &#8211; perceber o caráter maduro do desenvolvimento capitalista brasileiro iniciado pelo governo FHC e acelerado (quem sabe, levado ao máximo) pelo governo Lula. Aliás, também a campanha de Dilma comprova isso: as propostas colocadas no mero formato de <strong>números</strong> comprovam o projeto de <strong>expansão do capitalismo brasileiro</strong>; c) pulando para os itens 4 e 5 da postagem do Danilo, concordo que não há &#8220;falsa polarização&#8221;. Estamos com um profundo grau de acomodamento das lutas sociais, da consciência de classe, de fortalecimento da hegemonia democrática-liberal que fazem, a meu ver, com que seja desnecessário o capital organizar duas candidaturas apenas para &#8220;ludibriar&#8221; os trabalhadores; a permanência do conflito PT x PSDB é algo que vem, por um lado, de &#8220;tradição&#8221;, mas por outro, de algum conflito político atual que a esquerda socialista ainda não conseguiu desvelar satisfatoriamente. Sendo algo mais profundo, a vitória de uma ou outra candidatura tem <strong>consequências diferentes</strong> para as táticas dos socialistas revolucionários. Contudo, ao mesmo tempo que Serra reprimiu desde o início as manifestações dos professores da rede estadual de São Paulo ocorridas este ano, na França o presidente Nicolas Sarkozy, reconhecido até por jornais como a Folha de SP por ser da direita conservadora francesa, &#8220;demorou&#8221; para tomar uma atitude semelhante em relação às mobilizações recentes devido à reforma da previdência, que estiveram num crescente, até passar dos 2 milhões de pessoas mobilizadas (!). O que quero dizer é que os grupos políticos dominantes não são simplesmente &#8220;brutos&#8221;, como a esquerda brasileira estereotipa; as situações dadas, uma certa correlação de forças, os interesses em jogo, e vários outros itens, podem (ou não) se sobrepor à concepção que tal ou qual pessoa, tal ou qual grupo, têm sobre a relação que um governo deve ter com mobilizações sociais. Não dá para chamar voto na Dilma simplesmente porque &#8220;ela conversa&#8221; e o Serra &#8220;reprime&#8221;; podemos nos surpreender com esses simplismos. Quanto à questão das relações internacionais, tenho pouquíssimas informações para emitir uma avaliação, e por isso não comentarei nada a respeito; d) e para voltar ao item 3: a realidade presente coloca a decisão de apoiar ou não apoiar a Dilma. Só que ela é muito mais complexa do que a esquerda &#8220;virtual&#8221; &#8211; que está vivendo de blogs, twitter, facebook e vídeos no YouTube &#8211; está pintando. Escrevi esta postagem justamente para dizer que há muitas coisas por trás de uma decisão plebiscitária, e que temos que parar de falar tão facilmente dos &#8220;interesses dos trabalhadores&#8221; para defendermos opiniões que estão beirando muito a desejos e preferências midiáticas-emocionais-pessoais.</p>
<p>Por fim, quero fazer um rápido comentário sobre a <a href="http://www.lucianagenro.com.br/2010/10/jose-arbex-jr-renuncia-ao-conselho-editorial-do-brasil-de-fato/" target="_blank">carta de renúncia</a> do José Arbex Jr. do Conselho Editorial do jornal <em>Brasil de Fato</em>. Acho que apenas ironizar a decisão dele, por ser a segunda e numa situação semelhante à ocorrida em 2006, não acrescenta nada; para mim, isso é secundário. Contudo, não acrescenta nada também a construção que ele faz de um &#8220;grande campo&#8221;, onde estão juntos interesses sórdidos e conscientes e movimentos cooptados. Também só cria problemas ao colocar um sinal de igual entre MST de um lado, e Brasil de Fato de outro, sem explicar o que justifica essa operação. E em terceiro lugar, é altamente inconsequente por esquecer que no primeiro turno o jornal foi parceiro na realização do único debate entre os quatro candidatos colocados pela esquerda socialista. A despeito da qualidade do próprio debate, é descabida a afirmação de que o jornal tornou-se mero &#8220;panfleto&#8221; da candidatura Dilma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Sei que parece demasiado panfletário usar, re-usar e tre-usar  o termo &#8216;revolucionário&#8217;. Só que numa época na qual até Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, é filiado a um partido &#8216;socialista&#8217;, penso que é necessária uma precisão a respeito do campo ao qual faço referência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Gabriel Lourenço é estudante de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/389/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=389&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O confronto ideológico é mais importante</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 05:07:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opiniões (e só)]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrevo este texto alguamas horas após ter encerrado o debate presidencial do 2° turno na RedeTV!. O debate, ou melhor, o desempenho de Dilma no debate – a meu ver, regular – não modificou algumas das impressões que vim desenvolvendo &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2010/10/18/o-confronto-ideologico-e-mais-importante/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=392&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://panscopia.wordpress.com/2010/10/18/o-confronto-ideologico-e-mais-importante/"><img src="http://img.youtube.com/vi/I1HTZC7imAQ/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Escrevo este texto alguamas horas após ter encerrado o debate presidencial do 2° turno na <em>RedeTV!</em>.</p>
<p>O debate, ou melhor, o desempenho de Dilma no debate – a meu ver, regular – não modificou algumas das impressões que vim desenvolvendo nessa última semana.</p>
<p>Novamente, este texto não propõe a se aprofundar em alguma discussão; o parco tempo de que disponho não me permite dedicar mais de uma hora por dia em frente à tela do computador.</p>
<p>Então let’s go.</p>
<p><span id="more-392"></span></p>
<p>Não é verdade que essa eleição expressa a luta de classes, antes o contrário &#8211; a luta de classes está se expressando no esforço de ser apagada pelas duas candidaturas!</p>
<p>Dilma está respondendo ao conservadorismo reforçando os valores conservadores, ao legitimar os marcos em que a disputa está sendo feita.</p>
<p>Prova disso foi a incapacidade de reverter, pela esquerda, a discussão sobre o aborto, como se patenteia na <em>Mensagem da Dilma</em><a href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Estudos/Artigos/O%20confronto%20ideol%C3%B3gico%20%C3%A9%20mais%20importante.docx#_ftn1"><em><strong>[1]</strong></em></a>, divulgada em 15 de Outubro, poucos dias atrás: “Sou  pessoalmente  contra  o  aborto  e  defendo  a manutenção  da  legislação atual sobre o assunto”.</p>
<p>É uma pena, mas o quadro está absolutamente desenhado e, ao que parece, não há muito a ser feito.</p>
<p>Do ponto de vista tático e eleitoral, essa postura pode até fazer algum sentido. Porém, do ponto vista simbólico e ideológico, é profundamente ruim. De modo que Serra poderá até não vencer as eleições, mas decerto terá vencido o confronto no campo ideológico; ganhar no campo ideológico é ainda mais perigoso do que no campo eleitoral, pois acaba por &#8220;limpar o terreno&#8221; para invectivas futuras (um golpe, por exemplo).</p>
<p>O conservadorismo que tem caracterizado o pretenso contra-ataque de Dilma revela-nos, por um lado, o esgotamento ideológico do PT; por outro lado, e como consequência direta, revela também a necessidade de sua superação. Compreendo que esse ponto, para alguns, em particular, é bastante controverso. Mas só pode ser resolvido por nós, da esquerda socialista.</p>
<p>Três considerações, no entanto, convencem-me a votar em Dilma.</p>
<p>Em primeiro lugar, a razão mais simples e, por isso mesmo, talvez a principal: nem o lulismo, nem o PT serão superados numa derrota eleitoral, mas sim com uma forte reorganização e mobilização da esquerda, a qual conduza a um novo processo de amadurecimento político que tenha à sua frente a classe trabalhadora não apenas se vendo como classe, mas como sujeito histórico. Isso leva tempo – apesar de que precisa ser feito, considerando que a revolução socialista esteja na ordem do dia.</p>
<p>Além disso, e em segundo lugar, a oposição aventada por Plínio de Arruda Sampaio em um dos debates do primeiro turno é a mais adequada para a tomada de decisão neste segundo turno: melhorar a vida do povo x resolver os problemas do país. Entre Serra e Dilma, não há dúvidas de que Dilma melhora “mais” a vida do povo.</p>
<p>Em terceiro lugar, esta última consideração: a disputa que se colocou no segundo turno ganha sua importância pela tônica protofascista que passou a caracterizar a campanha de Serra, nas últimas semanas. Do contrário não apareceriam diferenças substanciais entre uma candidatura e outra. Isso não pode nos levar à conclusão de que o primeiro turno não passou de uma “brincadeira”, desconsiderando o papel importantíssimo, do ponto de vista ideológico e pedagógico, que desempenhou as candidaturas dos camaradas Plínio de Arruda Sampaio(PSOL), Ivan Pinheiro(PCB) e Zé Maria(PSTU). Não se pode, então, interpretar o segundo turno desta maneira: “<em>Acabou-se a brincadeira. Agora é segundo turno. Somos nós, da esquerda, contra o inimigo, da direita. E você deve escolher um lado. Ou você está conosco ou com eles!</em>”<a href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Estudos/Artigos/O%20confronto%20ideol%C3%B3gico%20%C3%A9%20mais%20importante.docx#_ftn2">[2]</a>. Acontece que com a deseducação político-ideológica que vem sendo perpetrada pela campanha de Serra, corre-se o risco de se perder o pouco que se conseguiu assomar durante o primeiro turno.</p>
<p>Tão-somente por essas três razões é que a esquerda socialista deve intervir. A disputa ideológica é o que mais nos interessa neste momento.</p>
<p><em>Danilo Vilela é estudante de Direito da UFS</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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<hr size="1" />
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<p><a href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Estudos/Artigos/O%20confronto%20ideol%C3%B3gico%20%C3%A9%20mais%20importante.docx#_ftnref1">[1]</a> <a href="http://media.folha.uol.com.br/poder/2010/10/15/carta_mensagem_dilma.pdf" target="_blank">http://media.folha.uol.com.br/poder/2010/10/15/carta_mensagem_dilma.pdf</a></p>
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<p><a href="/Documents%20and%20Settings/Danilo/Meus%20documentos/Estudos/Artigos/O%20confronto%20ideol%C3%B3gico%20%C3%A9%20mais%20importante.docx#_ftnref2">[2]</a> Destaco que essa observação foi feita por Leomir Hilário, sergipano, socialista e psicólogo, editor do Blog <em>Psicanálise Aberta</em>, no qual ele aborda questões da contemporaneidade através do arcabouço teórico psicanalítico. O comentário, entretanto, foi feito numa discussão de uma comunidade de Orkut. O endereço do Blog <em>Psicanálise Aberta</em> é: <a href="http://psicanaliseaberta.blogspot.com/">http://psicanaliseaberta.blogspot.com/</a></p>
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<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/panscopia.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/panscopia.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/panscopia.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/panscopia.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/panscopia.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/panscopia.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/panscopia.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/panscopia.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/panscopia.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/panscopia.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/panscopia.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/panscopia.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/panscopia.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/panscopia.wordpress.com/392/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=392&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A propósito das eleições presidenciais</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 01:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opiniões (e só)]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://panscopia.wordpress.com/?p=371</guid>
		<description><![CDATA[À propósito das eleições presidenciais: breves comentários para contribuir ao debate sobre o 2° turno na esquerda Saí do PT há menos de um ano. Na verdade, já vinha saindo há mais tempo. Quase um ano e meio &#8211; ou &#8230; <a href="http://panscopia.wordpress.com/2010/10/12/a-proposito-das-eleicoes-presidenciais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=panscopia.wordpress.com&amp;blog=6951899&amp;post=371&amp;subd=panscopia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>À propósito das eleições presidenciais: breves comentários para contribuir ao debate sobre o 2° turno na esquerda</strong></p>
<p>Saí do PT há menos de um ano. Na verdade, já vinha saindo há mais tempo. Quase um ano e meio &#8211; ou mais.</p>
<p>Na época em que, decididamente, desliguei-me do partido, minha avaliação foi a de um militante de esquerda que deixou de acreditar na existência, dentro do PT, de qualquer espaço para a discussão (ou, talvez, sequer a menção mesmo) de um projeto de sociedade alternativo ao modelo capitalista de organizar a (re)produção da vida. Mantenho esse posicionamento.</p>
<p>Não pretendo, neste texto, fazer um jogo de amarelinha e usar mecanicamente palavras como &#8220;tática&#8221; e &#8220;estratégia&#8221;, o que demandaria uma discussão mais profunda. Num texto breve como este pretende ser &#8211; e será -, o uso de palavras como essas correriam o altíssimo risco de virar meros jargões; em poucas palavras: o risco da vulgarização. A esquerda, aliás, precisa rechaçar as vulgarizações.</p>
<p>Ainda, é importantíssimo lembrar que <strong>este texto não representa a opinião do blog</strong>. Trata-se tão-somente da opinião do degas.</p>
<p><span id="more-371"></span></p>
<p>Comecemos, portanto.</p>
<p>1 &#8211; Votar em Dilma não é suficiente; pois a direita mobiliza-se. É preciso, desde já, armar o contragolpe. Além disso, <em>a esquerda não pode ter medo de intervir nas questões mais imediatas</em>.</p>
<p>2 &#8211; É importante que o foco das preocupações desloque-se para o aspecto estratégico; essa foi a tônica que caracterizou as campanhas das candidaturas socialistas do PSTU, PSOL, PCB e PCO. Com muita convicção, votei em Plínio(PSOL) no 1°turno.</p>
<p>3 &#8211; Porém, a realidade presente coloca à <em>vida</em> e à <em>luta </em>dos/as trabalhadores/as em geral uma só decisão: apoiar ou não apoiar a candidatura Dilma.</p>
<p>4 - Não se trata de <em>esperar </em>que haja uma &#8220;verdadeira&#8221; polarização, argumentando que as duas candidaturas representam uma &#8220;falsa&#8221; polarização. Trabalhemos com a lógica: ainda que se diga que o que existe é uma &#8220;falsa&#8221; polarização, essa afirmação não nega a existência da polarização em si. Reconhece-se haver diferenças; a mais marcante delas no quesito da política internacional. E na luta política, todo discurso em que, explícita ou implicitamente, se evoca a espera resulta no engano.</p>
<p>5 &#8211; Acrescem estas questões: qual lutador/a social quer um presidente que se refira ao MST como criminosos? Qual lutador/a social não quer um presidente que mantenha diálogo com os governos mais progressistas e democráticos da América Latina, como são os casos de Morales (Bolívia), Correa (Equador) e Chávez (Venezuela)? Qual lutador/a social não quer um presidente que manifeste veemente repúdio aos golpes e tentativas de golpes a esses governos mais progressistas e democráticos, como aconteceram em Honduras e, mais recentemente, no Equador?</p>
<p>Sou de esquerda, sou socialista e tenho posição. Neste 2°turno, minha opção é a candidatura Dilma.</p>
<p><em>Danilo Vilela tem 26 anos e é estudante de Direito da Universidade Federal de Sergipe </em></p>
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